Já vou para a segunda semana sem escrever uma página de meus contos. No início do ano desisti de meu primeiro romance. Meses depois iniciei uma novela mas, após imprimir a primeira parte do manuscrito e revisar meu trabalho, varejei (minha mãe costuma usar esta expressão) o pequeno grupo de folhas pela janela da área de serviço.
Ao contrário do que minhas primeiras impressões como escritor diziam, não sirvo para histórias longas. O curioso é que este aspecto de meu trato com as letras não reflete o que ocorre em minha vida pessoal. Ao longo destes meus quase 30 anos, boa parte das relações que construí (pessoais ou profissionais) são, ou eram para ser, duradouras. Me pergunto se talvez isto não seja um traço de insegurança; começo algo sólido e robusto o suficiente para que este me apóie pela vida ao invés de me doar aos poucos pedaços do inferno descartável que pingam sobre mim como as breves chuvas que caem nesta época do ano.
Minha arte e minha vida andam na contramão.
Ficarei alguns dias sem chegar até a área de serviço.