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…e contando

Já vou para a segunda semana sem escrever uma página de meus contos. No início do ano desisti de meu primeiro romance. Meses depois iniciei uma novela mas, após imprimir a primeira parte do manuscrito e revisar meu trabalho, varejei (minha mãe costuma usar esta expressão) o pequeno grupo de folhas pela janela da área de serviço.

Ao contrário do que minhas primeiras impressões como escritor diziam, não sirvo para histórias longas. O curioso é que este aspecto de meu trato com as letras não reflete o que ocorre em minha vida pessoal. Ao longo destes meus quase 30 anos, boa parte das relações que construí (pessoais ou profissionais) são, ou eram para ser, duradouras. Me pergunto se talvez isto não seja um traço de insegurança; começo algo sólido e robusto o suficiente para que este me apóie pela vida ao invés de me doar aos poucos pedaços do inferno descartável que pingam sobre mim como as breves chuvas que caem nesta época do ano.

Minha arte e minha vida andam na contramão.

Ficarei alguns dias sem chegar até a área de serviço.

Bitchnick & The Buketes

Ontem, após o primeiro texto que coloquei aqui, fiquei pensando no nome
que dei a este blog.

Não sou tão fã assim dos beatniks. Li On The Road, uivei com Ginsberg
e jamais me atrevi questionar a qualidade e importância de Burroughs,
Bukowski e Fante (se você pretende apontar o dedo e dizer: “Buk e Fante
não são beats”; nem perca seu tempo). Entretanto, o que me compeliu a
utilizar um trocadilho infame no título de meu diário é o engodo criado em
volta da obra destes autores.

Creio que Bukowski já passou da fase das revisitações; posso dizer que
alguns contemporâneos meus, não se contentando em somente fazer visitas
esporádicas à obra do velho safado, praticamente construíram um
puxadinho no meio dela e de lá não arredaram pé.

Uma autora amiga batizou este movimento de “favelização literária”, mas
também não acredito nisso (por mais que minha metáfora do puxadinho
sugira). Ela é do time que só aprecia os clássicos. Bando de chatos
– os radicais apreciadores de clássicos, e não os clássicos –; esses
não têm jeito mesmo. Ao menos, os Buketes não são frescos e são mais
sacanas (legado), além do fato de sua vitalidade ser algo invejável –
independente de seu (sub)produto pueril.

Fui dormir pensativo.

Meu viveiro

Talvez eu não tenha sido claro na descrição deste blog no texto da aba ‘Sobre’. Sou um escritor, e vivo sim um bloqueio criativo tremendo, mas não foi durante meu ofício que decidi sentar e criar esse espaço discreto (exceto pela foto do macaco no topo) numa tentativa desesperada de salvar o que resta de minha veia literária através de um diário online.

Confesso que tal iniciativa seria até nobre. Afinal, Conrad, Hemingway, Dostoiévski, todos esses caras, quando não estavam despejando sua loucura em sua arte, adestravam seus demônios nos diários que mantinham (recordo do personagem do Fagundes naquela novela das 8, quando as novelas ainda prestavam). Mas a verdade é que não sou nenhum gênio das letras, ou ainda não me descobriram como tal. Pouco importa. Aqui dou os primeiros grãos de milho a meus cramulhões.